IQA aponta qualidade como eixo estratégico da transformação automotiva no Brasil
O IQA lançou, durante a comemoração de seus 31 anos, o estudo Cenário da Qualidade Automotiva no Brasil 2026-2028, revelando os principais desafios e caminhos estratégicos para a indústria automotiva brasileira diante da transição energética, da eletrificação e do avanço tecnológico global.
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| Evento institucional do IQA marcou a apresentação do estudo Cenário da Qualidade Automotiva no Brasil 2026-2028 em São Paulo. |

Apresentado pelo presidente do instituto, Cláudio Moysés, e pelo diretor-superintendente, Alexandre Xavier, o levantamento ouviu 36 entidades e 60 lideranças do setor automotivo, consolidando uma visão ampla sobre os impactos da inovação na competitividade da indústria nacional.
Segundo Alexandre Xavier, 76% dos entrevistados afirmaram que a qualidade deixou de ser apenas um diferencial operacional e passou a ocupar posição central na governança do ciclo de vida dos veículos:
“A qualidade tornou-se o eixo central de confiança e decisão de um setor em transformação.”
Entre os maiores desafios apontados pelo estudo estão a transição tecnológica, mencionada por 71% dos participantes, seguida pela competitividade global, com 53%, além da atração e qualificação de mão de obra, com 42%, e da transição energética, com 39%.
Inteligência artificial e eletrificação aceleram mudanças
Dentro do cenário tecnológico, inteligência artificial e eletrificação lideram empatadas, ambas com 48% das citações. Na sequência aparecem digitalização, com 25%, e biocombustíveis, hidrogênio e combustíveis alternativos, com 17%.
Para Cláudio Moysés, o setor automotivo vive uma transformação profunda, exigindo adaptação rápida das empresas e dos profissionais:
“Hoje, frente aos diversos desenvolvimentos apoiados em tecnologia, temos de nos adaptar. E os profissionais também precisam atender a essa nova demanda.”
O executivo destacou ainda que questões como competitividade, pressão por redução de custos e atualização tecnológica impactam diretamente toda a cadeia automotiva brasileira.
Cooperação entre indústria, universidades e governo será fundamental
Durante o evento, Moysés reforçou que o atual cenário exige união entre empresas, universidades e poder público para fortalecer a indústria nacional frente à concorrência internacional:
“É fundamental desenvolver um olhar às universidades, buscar apoio do governo. Não dá para atravessar este processo sozinho.”
O estudo também apontou preocupação crescente com a entrada de veículos importados, especialmente de montadoras chinesas, cenário que levanta debates sobre isonomia regulatória e equilíbrio competitivo no mercado brasileiro.
Segundo o levantamento, 32% dos entrevistados defendem regras mais claras e padrões iguais para todos os concorrentes. Já 30% entendem que o novo papel da qualidade está diretamente ligado à confiança do consumidor, experiência de uso e proteção de vidas.
Competitividade e risco de desindustrialização preocupam setor
O relatório destaca que fabricantes chineses chegam ao Brasil com vantagens competitivas importantes, como menor custo de produção, maior escala industrial, incentivos governamentais e oferta de veículos eletrificados a preços mais acessíveis.
Enquanto isso, empresas instaladas no Brasil enfrentam desafios como custo Brasil elevado, juros altos, dificuldades para exportação e ausência de políticas industriais de longo prazo voltadas à eletrificação e inovação tecnológica.
O estudo alerta ainda para riscos de competição agressiva, aumento da dependência de componentes importados e possível desindustrialização, principalmente entre fabricantes de autopeças menos preparados para o novo cenário global.
Mão de obra qualificada se torna prioridade estratégica
Outro ponto de destaque do levantamento é a dificuldade crescente de atração e retenção de profissionais qualificados para atuar nas novas tecnologias automotivas.
Segundo Alexandre Xavier, 71% dos entrevistados consideram a competitividade frente aos grandes concorrentes globais extremamente complexa. Entre os principais obstáculos aparecem mão de obra qualificada, com 25%, tecnologia e custo Brasil, ambos com 22%, além da falta de ambiente regulatório harmonizado, com 17%.
Moysés também comparou o setor automotivo a outros segmentos mais atrativos financeiramente, como o mercado financeiro, ressaltando o desafio de competir por talentos diante de salários e benefícios mais elevados.
O estudo do IQA reforça que o futuro da indústria automotiva brasileira dependerá da capacidade de adaptação tecnológica, da formação profissional e da construção de políticas industriais capazes de garantir competitividade, inovação e sustentabilidade para o setor nos próximos anos.
www.iqa.org.br/
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