Gás ganha competitividade no transporte rodoviário e reduz custo operacional em até 40%, afirma Logás
Com infraestrutura própria, locação de caminhões e expansão para GNL e biometano, empresa aposta na redução do TCO para acelerar a transição energética das transportadoras brasileiras
O gás natural e o biometano deixaram de ser apenas alternativas voltadas à sustentabilidade e passaram a representar uma oportunidade concreta de redução de custos para o transporte rodoviário de cargas. Essa é a avaliação de Wanius de Camargos, gerente técnico comercial da Logás, empresa especializada no desenvolvimento de infraestrutura de abastecimento para frotistas.
Segundo o executivo, o avanço da rede de abastecimento e a maior maturidade da tecnologia já permitem que, em diversas operações, o TCO (Total Cost of Ownership – Custo Total de Propriedade) dos caminhões movidos a gás seja mais competitivo do que o dos veículos a diesel.
Estudos realizados pela Logás apontam que o custo médio do quilômetro rodado com diesel gira em torno de R$ 3,00. Utilizando gás natural, esse valor cai para aproximadamente R$ 1,87, enquanto com biometano fica em torno de R$ 2,15. Mesmo sem considerar despesas adicionais típicas da operação com diesel, como Arla 32, manutenção e outros insumos, a economia operacional pode alcançar 40%, dependendo do perfil da frota e da rota.
"Ninguém muda tecnologia apenas porque ela é diferente. O cliente muda quando a conta fecha", resume Camargos.
Infraestrutura elimina um dos principais desafios
Para tornar essa economia viável na prática, a Logás desenvolveu um modelo de negócio que integra fornecimento de combustível, planejamento logístico e implantação da infraestrutura de abastecimento.
Antes da implementação, a empresa analisa individualmente cada operação para identificar os melhores pontos de abastecimento. A partir desse estudo, instala compressores, dispensers e, quando necessário, utiliza carretas especiais para transportar o gás até a base do cliente.
Com esse modelo, a transportadora passa a operar sem depender da disponibilidade de postos públicos, garantindo previsibilidade no abastecimento e maior eficiência operacional.
De acordo com Camargos, hoje já é possível estruturar corredores logísticos abastecidos em praticamente todo o território nacional.
Locação reduz barreira de entrada
Outro pilar da estratégia da Logás é ampliar o acesso aos caminhões a gás por meio da locação.
Além da comercialização de veículos em parceria com a Green Cargo, importadora dos caminhões JAC movidos a gás, a empresa oferece contratos de locação que eliminam o elevado investimento inicial normalmente associado à renovação da frota.
Nesse formato, a transportadora transfere parte dos custos de manutenção e dos riscos operacionais para a locadora, além de contar com toda a infraestrutura de abastecimento já instalada.
Segundo Camargos, embora as primeiras negociações tenham sido concentradas na venda direta de veículos, a tendência é que a locação ganhe força conforme as empresas iniciarem novos ciclos de renovação de frota.
Estrutura completa para abastecimento
A Logás é responsável por toda a cadeia de infraestrutura necessária para a operação dos caminhões a gás.
A empresa fornece o combustível, projeta e instala compressores, dispensers e demais equipamentos, permitindo que transportadoras adotem a tecnologia sem a necessidade de investir em uma estrutura própria de abastecimento.
Esse modelo reduz a complexidade da implantação e acelera a entrada dos veículos em operação.
GNL amplia autonomia para longas distâncias
A próxima etapa da estratégia da empresa envolve a expansão das operações com GNL (Gás Natural Liquefeito), tecnologia voltada especialmente ao transporte de longa distância.
Segundo Camargos, a Logás já negocia um projeto para aproximadamente 60 caminhões movidos a GNL, que deverão ser trazidos ao Brasil pela JAC ainda este ano.
A utilização do GNL permite ampliar significativamente a autonomia dos veículos, que podem percorrer cerca de 2 mil quilômetros entre abastecimentos.
Na avaliação do executivo, essa configuração torna o combustível altamente competitivo em operações de longa distância, enquanto o gás natural comprimido e o biometano continuam oferecendo excelente relação entre custo e autonomia em rotas regionais abastecidas por corredores dedicados.
Biometano representa a evolução natural
Embora o gás natural ainda seja predominante nas operações atuais, a expectativa da Logás é que o biometano ganhe espaço à medida que sua produção aumente no Brasil.
Camargos destaca que os caminhões comercializados atualmente já são compatíveis com ambos os combustíveis, permitindo que a transição ocorra de forma simples, sem necessidade de modificações nos veículos.
A empresa já mantém parcerias com produtores de biometano e afirma estar preparada para atender à demanda assim que houver maior disponibilidade e competitividade da molécula renovável.
Conforto também influencia na escolha
Além da economia operacional, fatores ligados à experiência do motorista também começam a influenciar a adoção da tecnologia.
Segundo Camargos, muitos profissionais demonstram preferência pelos caminhões movidos a gás devido ao menor nível de ruído durante a condução, à ausência do odor característico do diesel e ao maior conforto proporcionado pela operação.
Para a Logás, a combinação entre redução do custo total de propriedade, infraestrutura de abastecimento, novos modelos de locação, maior autonomia com GNL e melhores condições de trabalho para os motoristas posiciona o gás como uma alternativa cada vez mais competitiva para parte significativa das operações do transporte rodoviário brasileiro.
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