Vendas de máquinas de linha amarela devem crescer 4% em 2026, aponta Estudo Sobratema

Mesmo diante de um cenário econômico marcado por juros elevados, crédito mais restrito e incertezas no ambiente de negócios, a comercialização de equipamentos da linha amarela deve crescer 4% em 2026, alcançando 35.843 unidades. As projeções foram apresentadas durante o 2º Radar Tendências, promovido pela Associação Brasileira de Tecnologia e Gestão de Equipamentos (Sobratema). 


"O primeiro semestre confirmou um mercado consistente. A expectativa é de um segundo semestre mais cauteloso, mas suficiente para consolidar esse resultado", afirmou Claudio Schmidt, coordenador do Estudo Sobratema do Mercado Brasileiro de Equipamentos. As vendas totais de máquinas, que incluem a linha amarela, guindastes, compressores portáteis, manipuladores telescópicos, plataformas elevatórias, equipamentos para concreto, caminhões rodoviários e tratores pesados de pneus, deverão atingir 58.611 unidades em 2026, também com expansão de 4% em relação ao ano anterior. 


Para Felipe Frazão, sócio-diretor da MGM Locações, o setor poderia crescer de forma mais acelerada, se não fosse a alta taxa de juros, que limita novos investimentos. “Muitas empresas aumentam o volume da frota para diluir custos fixos, mas isso nem sempre representa aumento de rentabilidade”, analisou. 


A mesma avaliação é compartilhada por Rafael Murrer, economista sênior do Banco Bradesco, que destacou o impacto da política monetária sobre toda a cadeia produtiva. "Os juros elevados desaceleram o crescimento econômico, reduzem a expansão do crédito e tornam as decisões de investimento mais criteriosas”, explicou. A expectativa é que este ano a Selic fique em 13,75%, segundo projeções do banco.


De acordo com Domage Ribas, gerente de Equipamentos da Crasa Infraestrutura, esse contexto exige uma mudança na forma como as empresas administram seus ativos. "Com juros elevados, cada decisão de investimento precisa ser muito bem fundamentada. As empresas passam a olhar com muito mais profundidade para diversas questões, como custo total de propriedade do equipamento, consumo, disponibilidade, produtividade e vida útil. Comprar melhor, planejar melhor e medir melhor se tornou uma vantagem competitiva”, destacou.


No primeiro semestre, o setor público assumiu a liderança das compras, respondendo por 23% das vendas, seguido pela construção pesada (22%), locação (19%), construção leve (14%), agro e florestal (12%) e mineração (10%). Na avaliação de Schmidt, esse desempenho do governo representa um movimento específico do momento, sem alterar a tendência histórica do mercado, com construção pesado e locação alternando na primeira colocação.


O Estudo Sobratema também apontou que 39% dos usuários trabalham com até 10% da frota parada e que 21%, com até 20% da frota parada. Na visão de Jordão Coelho Duarte, diretor de Operações da Skava-Minas, esse é um dos indicadores mais sensíveis para a gestão dos negócios. "Manter cerca de 10% da frota parada é saudável, pois garante capacidade de mobilização imediata para atender novos contratos e cumprir os prazos exigidos pelos clientes. O problema surge quando esse percentual ultrapassa 20%, especialmente em um setor intensivo em capital. Mais importante do que o tamanho da frota parada é o tempo em que esses equipamentos permanecem sem utilização", explicou.


O mercado de locação tem conquistado cada vez mais espaço no setor de máquinas. Os dados do Estudo apontam que 58% das construtoras alugam até 10% dos equipamentos utilizados em suas obras. "Existe um espaço importante para crescimento. Em mercados mais desenvolvidos, a locação representa entre 40% e 45% da utilização dos equipamentos. Essa tendência também deve se consolidar no Brasil”, ponderou Schmidt.


Para Mairon Karr, diretor de Negócios da Armac, o setor vive uma transformação silenciosa, com empresas buscando cada vez mais flexibilidade. “O mercado vive um processo contínuo de renovação das frotas, combinando aquisição, venda e locação conforme a necessidade operacional de cada momento”, avaliou. Segundo ele, o valor residual do equipamento é um dos fatores que mais influenciam o custo-horário da máquina. “Quanto melhor for essa engenharia financeira ao longo do ciclo de vida do ativo, maior será o retorno”, acrescentou.


Afonso Mamede, presidente da Sobratema, lembrou que o setor passou por uma verdadeira revolução silenciosa, nas últimas décadas. “Saímos de equipamentos analógicos e isolados para frotas inteligentes, conectadas e monitoradas em tempo real. O que há 20 anos parecia ficção científica hoje é padrão nas operações. E a próxima revolução certamente já está a caminho". 


Aos debates também contaram com as avaliações de Rafael Nieweglowski, diretor Comercial da Volvo-CE, e Manuel Lovato, diretor de Planejamento e Peças da Komatsu, que trouxeram suas perspectivas do mercado e como suas respectivas empresas têm atuado no país. 


Outros indicadores importantes foram: 39% das empresas operam equipamentos com até cinco anos de uso e 43% possuem máquinas entre cinco e dez anos, demonstrando um processo contínuo de renovação dos ativos; e cerca de 39% das aquisições são realizadas com capital próprio, enquanto apenas 17% utilizam operações via CDC, refletindo um cenário de crédito mais restrito.


O 2º Radar Tendências teve o apoio da JCB, Komatsu, Putzmeister, Trimble e Volvo. 




Canal Diesel – www.canaldiesel.com.br

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