Banco Mercedes-Benz articula nova linha permanente de financiamento para ônibus rodoviários

O Banco Mercedes-Benz negocia com o Ministério do Turismo e a Caixa Econômica Federal a criação de uma alternativa de financiamento para ônibus rodoviários inspirada no modelo do Refrota, programa atualmente direcionado à renovação da frota de transporte coletivo urbano. A proposta prevê a utilização de recursos do Fundo Geral de Turismo (Fungetur) para estruturar uma linha permanente, com condições competitivas para empresas que atuam no transporte rodoviário de passageiros.



A discussão ganhou relevância após o encerramento do Move Brasil, programa temporário que teve participação importante no financiamento de ônibus rodoviários. Segundo Leonardo Piccinini, presidente e CEO do Banco Mercedes-Benz, o segmento passou a não contar com uma linha permanente equivalente ao Refrota.


Leonardo Piccinini - PRESIDENTE e CEO DO BANCO MERCEDES-BENZ DO BRASIL


“O rodoviário não tem nada”, afirmou o executivo, ao comparar as alternativas disponíveis atualmente para os dois segmentos.

 

Na avaliação de Piccinini, a experiência do Move Brasil evidenciou a demanda por uma modalidade específica de crédito para os operadores rodoviários. Quando o programa foi disponibilizado, empresas do setor recorreram à linha justamente pela ausência de uma alternativa permanente com características semelhantes.



A criação de uma linha baseada no Fungetur ainda está em etapa preliminar. O fundo já existe, mas a estruturação do produto envolve questões relacionadas ao orçamento, à operacionalização e ao credenciamento das instituições financeiras.


Os bancos de montadoras ainda não estão habilitados para operar a linha. Nesse cenário, o Banco Mercedes-Benz mantém conversas com a Caixa Econômica Federal e o Ministério do Turismo para avaliar a possibilidade de participar da operação.


A instituição pretende utilizar a experiência adquirida com o Refrota como uma das bases para contribuir com a construção do novo modelo. O banco foi um dos pioneiros na operação do programa e afirma ter desenvolvido conhecimento específico sobre financiamento de ônibus e sobre as características dos operadores do setor.


“Estamos levantando a mão” para mostrar ao governo a experiência adquirida na operação do Refrota, destacou Piccinini.


Mercado de ônibus sente ausência de linha permanente


A necessidade de uma alternativa específica para o transporte rodoviário ganhou força após o encerramento do Move Brasil. Segundo dados apresentados pelo Banco Mercedes-Benz, o mercado brasileiro de ônibus recuou 12% no primeiro semestre.


Mesmo diante desse cenário, o banco ampliou sua atuação no segmento. Entre janeiro e junho, foram desembolsados R$ 1,4 bilhão para financiamento de ônibus. Desse total, R$ 865 milhões foram destinados por meio do Refrota, enquanto o restante foi financiado pelo Move Brasil.


Desde 2024, o Banco Mercedes-Benz afirma ter desembolsado R$ 2,3 bilhões por meio do Refrota. Somente em 2026, foram R$ 865 milhões, resultado que demonstra, na avaliação da instituição, o impacto das linhas com condições diferenciadas na renovação das frotas.


No transporte rodoviário, entretanto, o Refrota não atende à demanda por se tratar de um programa direcionado ao transporte coletivo urbano. O Move Brasil acabou ocupando esse espaço enquanto esteve disponível.


O banco também informou ter realizado mais de R$ 2 bilhões em operações por meio do Move Brasil 2. Nos 45 dias anteriores à apresentação dos dados, foram protocolados R$ 800 milhões somente em operações destinadas a ônibus.


Previsibilidade é principal objetivo


Para o Banco Mercedes-Benz, uma eventual linha baseada no Fungetur deveria ter como principal característica a permanência. A ideia é oferecer previsibilidade para que os operadores possam planejar a renovação de suas frotas sem depender de programas temporários ou de períodos específicos para contratação.


“O operador de ônibus sabe que o Refrota está lá. Ele se programa”, explicou Piccinini.


Na avaliação do executivo, uma estrutura semelhante poderia ser aplicada ao transporte rodoviário. Dessa forma, o empresário teria uma fonte de financiamento disponível quando chegasse o momento de substituir os veículos, permitindo maior planejamento dos investimentos.


A experiência com programas temporários também teria demonstrado desafios para os operadores. Piccinini citou o caso de um cliente que contratou financiamento com taxa subsidiada e posteriormente encontrou dificuldades para manter os pagamentos.


Segundo os números apresentados pelo banco, a taxa do Move chegou a aproximadamente 13,5%, enquanto a do Refrota está em 11,5%.


Fungetur precisa avançar em orçamento e credenciamento


Apesar do potencial, o Fungetur ainda enfrenta etapas para se transformar em uma alternativa semelhante ao Refrota para o transporte rodoviário.


Entre os principais pontos estão questões orçamentárias, operacionais e de credenciamento. Inicialmente, foram habilitados bancos públicos e instituições de fomento, enquanto os bancos de montadoras ainda aguardam autorização para participar da operação.


De acordo com o Banco Mercedes-Benz, a Caixa Econômica Federal já procurou a instituição para discutir a experiência acumulada na operação do Refrota. A intenção é avaliar como o conhecimento dos bancos de montadoras pode contribuir para a estruturação de uma eventual nova linha.


O segmento rodoviário representa uma parcela menor do mercado total de ônibus, estimada por Piccinini entre 5% e 8% das vendas. Ainda assim, o executivo considera importante a criação de uma modalidade específica de financiamento para apoiar a renovação das frotas.


Próximos passos


A proposta ainda depende de definições do governo federal sobre orçamento, regras de operação e credenciamento das instituições financeiras. Não há, até o momento, uma linha permanente do Fungetur estruturada nos moldes do Refrota para atender especificamente aos ônibus rodoviários.


Caso avance, a iniciativa poderá ampliar as alternativas de crédito disponíveis para empresas de transporte rodoviário de passageiros e oferecer maior previsibilidade para investimentos na renovação das frotas.


Para o Banco Mercedes-Benz, a criação de uma linha permanente representaria uma evolução em relação aos programas temporários, permitindo que os operadores planejem seus investimentos de acordo com a necessidade de renovação dos veículos, e não apenas durante períodos específicos de disponibilidade de recursos.

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 Banco Mercedes-Benz do Brasil

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