Brasil avança na produção nacional de baterias de íons de lítio com projeto de R$ 68,6 milhões
O Brasil deu mais um passo para ampliar o domínio tecnológico sobre a produção de baterias de íons de lítio. O Instituto Senai de Inovação em Eletroquímica (ISI-Eletroquímica), em parceria com o Instituto CPQD, realizou em 19 de agosto, em Campinas (SP), o 2º Stage Gate do Projeto Estruturante de Baterias de Íons de Lítio.
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| Bateria de íons de lítio desenvolvida para aplicações de mobilidade elétrica e armazenamento de energia, destacando a tecnologia utilizada no projeto de produção nacional de células. |
A iniciativa reúne instituições de pesquisa, empresas e entidades de fomento com o objetivo de fortalecer a cadeia produtiva nacional e desenvolver competências para a fabricação de células no país — uma frente estratégica para a mobilidade elétrica e o armazenamento de energia.
| Pesquisadores do SENAI e do CPQD durante o desenvolvimento de baterias de íons de lítio, em projeto voltado à produção nacional de células e ao avanço da mobilidade elétrica no Brasil. |
Protótipos nacionais avançam
Durante o segundo Stage Gate, as equipes apresentaram os resultados alcançados ao longo dos dois primeiros anos do projeto, incluindo avanços em pesquisa, desenvolvimento e infraestrutura.
O ISI-Eletroquímica já trabalha na fabricação e avaliação de protótipos de células cilíndricas e prismáticas em escala laboratorial. Paralelamente, o CPQD avançou nos ensaios elétricos e de segurança utilizando células comerciais como referência tecnológica.
Entre os testes realizados estão avaliações de capacidade, resistência interna, densidade de energia, eficiência de recarga, vida útil e segurança. Os resultados formam uma base técnica para a evolução das células nacionais e para as próximas etapas de escalonamento.
O projeto contempla duas químicas relevantes para o mercado atual: LFP (lítio-ferro-fosfato) e NMC (níquel-manganês-cobalto), utilizadas em diferentes aplicações de mobilidade elétrica e armazenamento de energia.
O avanço ocorre em um contexto no qual o país busca ampliar a participação nacional na cadeia de baterias. Em 2024, o Senai informou que o projeto reunia 27 empresas de diferentes setores industriais, formando uma aliança voltada ao desenvolvimento de toda a cadeia de valor, desde insumos e materiais até componentes e células.
Planta semiindustrial prepara próxima fase
Um dos principais marcos apresentados no encontro foi a evolução da planta semiindustrial de baterias do ISI-Eletroquímica.
A estrutura está sendo preparada para permitir a produção de lotes pioneiros de células cilíndricas 21700 e células prismáticas com capacidade próxima de 100 Ah. A unidade também deverá possibilitar a validação de processos produtivos, avaliação de novos materiais e realização de projetos cooperativos com a indústria.
A implantação da infraestrutura representa a transição entre o desenvolvimento em laboratório e uma etapa de maior escala. No primeiro Stage Gate, realizado em outubro de 2025, o projeto já havia avançado para a fase de montagem da planta semiindustrial, com previsão de evolução da operação e do domínio dos processos até 2027.
Tecnologia nacional para mobilidade e energia
Além de atender às demandas da mobilidade elétrica, o domínio da fabricação de células pode ampliar a participação brasileira em aplicações estacionárias de armazenamento de energia.
O próprio ISI-Eletroquímica vem desenvolvendo outras iniciativas relacionadas ao setor. Em junho de 2026, o instituto anunciou, em parceria com a AXIA Energia, o desenvolvimento de uma célula prismática LFP produzida no Brasil com matéria-prima nacional, destinada a sistemas BESS (Battery Energy Storage Systems).
Um projeto estratégico para a indústria brasileira
O Projeto Estruturante de Baterias de Íons de Lítio representa uma etapa importante na tentativa de construir, no Brasil, competências que vão além da montagem de sistemas de baterias. O foco está no domínio tecnológico da fabricação das próprias células, na formação de profissionais especializados e na criação de uma base industrial capaz de avançar para níveis maiores de produção.
Com a evolução dos protótipos e a entrada da planta semiindustrial em uma nova fase, o projeto aproxima o país de uma estrutura capaz de testar processos, materiais e produtos em condições mais próximas da indústria.
Para a indústria automotiva, de transporte e de energia, esse movimento é relevante porque coloca a fabricação nacional de células no centro da discussão sobre competitividade, eletrificação e segurança tecnológica da cadeia de armazenamento de energia.
