AGCO registra queda de 8,6% na receita no terceiro trimestre de 2026 e aponta retração da demanda por máquinas agrícolas
A fabricante de máquinas agrícolas AGCO registrou receita líquida de US$ 2,26 bilhões no terceiro trimestre de 2026, uma redução de 8,6% em relação ao mesmo período de 2025. O resultado reflete o enfraquecimento da demanda mundial por equipamentos agrícolas, influenciado pelos custos elevados de produção, pelas incertezas econômicas e pela menor rentabilidade dos produtores rurais.
O lucro por ação foi de US$ 0,75, ante US$ 4,09 registrados no terceiro trimestre do ano anterior. A comparação, entretanto, foi impactada pelo ganho extraordinário da venda da participação da companhia na fabricante indiana TAFE, que acrescentou US$ 2,93 por ação ao resultado de 2025. Considerando os ajustes, o lucro por ação passou de US$ 1,35 para US$ 1,05.
Entre janeiro e setembro, a AGCO acumulou receita líquida de US$ 7,22 bilhões, crescimento de 0,7% sobre igual período de 2025. Sem os efeitos favoráveis da conversão cambial, entretanto, as vendas apresentaram retração de 2,7%. O lucro ajustado por ação alcançou US$ 3,42, ante US$ 3,11 no ano anterior.
O lucro operacional do terceiro trimestre totalizou US$ 116,1 milhões, queda de 23,4%, enquanto a margem operacional recuou de 6,1% para 5,1%. Nos números ajustados, o lucro operacional foi de US$ 137 milhões, redução de 25,9%, com margem de 6,1%.
Segundo Eric Hansotia, presidente do conselho e CEO da AGCO, a indústria mundial de máquinas agrícolas enfrenta seu ambiente de demanda mais fraco em mais de uma década. O executivo destacou que os custos elevados de produção, as incertezas nos mercados de commodities e no comércio internacional, além das dificuldades de rentabilidade dos agricultores, reduziram os investimentos em equipamentos.
Para enfrentar o cenário, a fabricante intensificou o controle da produção, dos estoques nas concessionárias e dos custos operacionais. As horas de produção diminuíram 19% no terceiro trimestre, na comparação anual. Para 2026, a companhia projeta uma redução de aproximadamente 5% no volume produzido.
América Latina registra queda de 15,4% na receita
A América Latina apresentou um dos principais desafios para a AGCO. A receita líquida da região somou US$ 292,3 milhões no terceiro trimestre de 2026, queda de 15,4% em relação aos US$ 345,5 milhões registrados no mesmo período do ano anterior. Desconsiderando os efeitos cambiais, a retração chegou a 19,1%.
A redução dos volumes de vendas e produção também afetou a rentabilidade regional, com o lucro operacional ficando US$ 13 milhões abaixo do resultado do terceiro trimestre de 2025.
No acumulado dos nove primeiros meses, a receita latino-americana alcançou US$ 775,3 milhões, recuo de 16,8%. Em moeda constante, a queda foi de 22,7%.
No Brasil, o mercado de máquinas agrícolas apresentou retração significativa. De acordo com estimativas da própria companhia, as vendas de tratores ao consumidor final diminuíram 17% entre janeiro e setembro de 2026, na comparação com igual período de 2025. As comercializações de colheitadeiras recuaram 38%.
A AGCO destacou especialmente a redução da demanda por equipamentos de maior porte. Juros elevados, restrições de crédito e menor rentabilidade no campo limitaram os investimentos dos produtores, enquanto as incertezas econômicas e políticas contribuíram para o adiamento das decisões de compra.
América do Norte apresenta crescimento de 34,8%
Na América do Norte, a AGCO registrou desempenho positivo. A receita regional avançou 34,8%, alcançando US$ 485,3 milhões no terceiro trimestre. Sem os efeitos cambiais, o crescimento foi de 35,1%.
O resultado foi impulsionado pelo aumento dos volumes comercializados na maioria das categorias, principalmente tratores de alta e média potência e peças de reposição.
A região passou de um prejuízo operacional de US$ 42 milhões no terceiro trimestre de 2025 para um lucro de US$ 13,8 milhões em 2026. Parte dessa evolução foi influenciada por aproximadamente US$ 13 milhões em restituições de tarifas de importação cobradas pelos Estados Unidos com base na IEEPA.
A companhia ressalta, entretanto, que esses valores ainda estão sujeitos à revisão das autoridades alfandegárias e a recursos judiciais do governo americano, podendo ser devolvidos.
Apesar do avanço da receita da AGCO, o mercado norte-americano de máquinas agrícolas permaneceu em retração. Entre janeiro e setembro, as vendas setoriais de tratores caíram 9%, excluindo os modelos compactos, enquanto as comercializações de colheitadeiras recuaram 10%.
Na Europa e no Oriente Médio, a receita caiu 19,1%, totalizando US$ 1,31 bilhão. Alemanha, França, Itália e Espanha concentraram as principais reduções.
Já a região da Ásia, Pacífico e África registrou crescimento de 13,8%, com receita de US$ 178,8 milhões. O avanço foi impulsionado principalmente pelo desempenho das vendas na Austrália.
AGCO projeta receita de até US$ 10 bilhões em 2026
Para o fechamento de 2026, a AGCO projeta receita líquida entre US$ 9,8 bilhões e US$ 10 bilhões. A fabricante estima margem operacional ajustada próxima de 7% e lucro ajustado de aproximadamente US$ 5,50 por ação.
As projeções consideram as políticas tarifárias vigentes em 29 de outubro, além das medidas de mitigação e das estratégias de fornecimento adotadas pela companhia.
A fabricante também pretende continuar ajustando os níveis de produção à demanda do mercado, com foco no controle dos estoques nas concessionárias e na eficiência operacional.
Paralelamente, a AGCO mantém investimentos em tecnologias voltadas ao aumento da produtividade agrícola. Entre as iniciativas destacadas estão os sistemas de pulverização localizada com inteligência artificial, soluções autônomas e tecnologias da PTx.
A estratégia inclui a instalação de recursos de agricultura de precisão em máquinas já existentes, inclusive de outras marcas, permitindo que produtores modernizem seus equipamentos sem a necessidade de substituir integralmente suas frotas.
Segundo Eric Hansotia, a companhia busca ampliar a produtividade e melhorar a rentabilidade dos produtores rurais, ao mesmo tempo em que fortalece sua estrutura de custos para enfrentar o atual ciclo de retração do mercado mundial de máquinas agrícolas.
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