Biometano, eletrificação e hidrogênio ganham espaço no futuro energético do agronegócio
Debate no ABX26 reuniu lideranças da indústria para discutir eficiência energética, redução de emissões e competitividade nas operações agrícolas
Painel reúne lideranças do setor para discutir o futuro energético do agronegócio, com destaque para biometano, eletrificação, hidrogênio e eficiência dos motores a diesel.
A transição energética do agronegócio entrou definitivamente na agenda estratégica da indústria de máquinas, motores e equipamentos fora de estrada. No painel “O diesel perdeu o reinado? O futuro energético do agro”, realizado em 1º de outubro, durante o ABX26 – Automotive Business Experience, no São Paulo Expo, especialistas e executivos discutiram as diferentes rotas tecnológicas capazes de aumentar a eficiência das operações no campo, reduzir emissões e preservar a produtividade.
Entre as alternativas avaliadas estão biometano, eletrificação, combustíveis renováveis e hidrogênio, além da evolução dos próprios motores a diesel. O principal consenso do debate foi de que o futuro energético do agronegócio não deverá ser definido por uma única tecnologia, mas por uma combinação de soluções adequadas às características de cada aplicação e região.
Eficiência energética ganha protagonismo
A discussão sobre energia no campo passa por uma questão central: como avançar na descarbonização sem comprometer a produtividade e a rentabilidade do produtor rural.
Nesse cenário, a eficiência energética assume papel estratégico. A escolha da tecnologia depende de fatores como disponibilidade de infraestrutura, perfil da operação, demanda energética, autonomia, condições de uso dos equipamentos e custo total de propriedade.
Representando a AGCO, Fabricio Natal, vice-presidente global de Engenharia da companhia e responsável pelo desenvolvimento de produtos em diferentes mercados, destacou que a transformação energética precisa ser acompanhada pela evolução da engenharia e da inteligência embarcada nas máquinas.
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| Fabricio Natal, vice-presidente global de Engenharia da AGCO |
“A transição energética no agronegócio não diz respeito apenas ao tipo de combustível no tanque, mas sobre a inteligência agregada a toda a operação. A engenharia global da AGCO foca em desenvolver soluções de alta performance que ajudem o produtor rural a reduzir custos operacionais, otimizar recursos e atender às rigorosas exigências ambientais sem abrir mão do desempenho que o campo precisa”, explicou Natal.
Diferentes aplicações exigem diferentes soluções
O debate também reforçou que a realidade do agronegócio é distinta daquela observada em outros segmentos de transporte e mobilidade. Máquinas agrícolas trabalham em ambientes severos, com diferentes níveis de demanda de potência e longos períodos de operação, o que torna a estratégia energética ainda mais dependente da aplicação.
Participaram do painel, além de Fabricio Natal, Christian Wahnfried, diretor de veículos fora de estrada e geradores da AEA; Mauricio Biadola, diretor de Vendas Off-Highway da Cummins; e Thomas Püschel, vice-presidente da Tupy – MWM.
Para Natal, a transição precisa considerar justamente essas diferenças entre regiões e modelos de produção.
“A transição energética do agronegócio exige entender as particularidades regionais e os diferentes perfis de produção. É por isso que oferecemos opções que vão desde o aumento de eficiência do diesel e uso de combustíveis renováveis até soluções como biometano e eletrificação, sempre priorizando a máxima rentabilidade e produtividade para o produtor rural”, afirmou.
Biometano e eletrificação entram no radar
Entre as tecnologias discutidas, o biometano aparece como uma alternativa com potencial especialmente relevante para regiões que possuem disponibilidade de matéria-prima e infraestrutura para produção do combustível.
A eletrificação, por sua vez, tende a encontrar aplicações específicas, principalmente em equipamentos e operações nas quais autonomia, disponibilidade de recarga e demanda energética permitam a adoção de sistemas elétricos de maneira economicamente competitiva.
O hidrogênio também integra o conjunto de tecnologias em desenvolvimento para uma transição de longo prazo, enquanto os combustíveis renováveis podem contribuir para reduzir a intensidade de carbono das operações utilizando parte da infraestrutura e dos conceitos tecnológicos já consolidados.
A perspectiva apresentada no ABX26 indica, portanto, que a substituição do diesel no agronegócio não deve ocorrer de maneira uniforme. O caminho tende a ser marcado pela diversificação das matrizes energéticas, com cada solução ocupando espaço de acordo com sua viabilidade técnica, econômica e ambiental.
Engenharia será determinante para o futuro do campo
Mais do que substituir uma fonte de energia por outra, a transformação envolve uma mudança ampla na concepção dos equipamentos agrícolas. Sistemas eletrônicos, automação, conectividade, inteligência embarcada e agricultura de precisão passam a ter papel cada vez mais importante na busca por eficiência.
Nesse processo, a engenharia assume a responsabilidade de integrar diferentes tecnologias sem perder de vista o principal indicador da operação agrícola: a produtividade.
O debate do ABX26 mostrou que a pergunta sobre o futuro energético do agro não se resume a saber se o diesel perderá espaço, mas quais tecnologias serão capazes de entregar a combinação mais eficiente entre desempenho, custo operacional, disponibilidade energética e redução de emissões em cada aplicação.
Essa visão aponta para um cenário de transição gradual e diversificado, no qual diesel mais eficiente, combustíveis renováveis, biometano, eletrificação e hidrogênio poderão coexistir durante diferentes etapas da transformação energética do agronegócio.
Sobre a AGCO
A AGCO (NYSE: AGCO) é uma empresa global de máquinas agrícolas e tecnologias de agricultura de precisão. A companhia atua com marcas como Fendt™, Massey Ferguson™, PTx™ e Valtra™, além de equipamentos, tecnologias e soluções voltadas à produtividade e à sustentabilidade no campo.
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