Fiesp projeta os desafios da indústria brasileira até 2040, com foco em IA, descarbonização e inovação
Relatório Macrotendências Mundiais 2040 destaca oportunidades em minerais críticos, energia limpa, mobilidade verde e modernização industrial para ampliar a competitividade do Brasil.
A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) apresentou o relatório Macrotendências Mundiais 2040, que analisa as transformações tecnológicas, econômicas e geopolíticas que devem influenciar a competitividade da indústria brasileira nas próximas décadas. O documento foi apresentado em 7 de outubro de 2026, durante reunião plenária do Conselho Superior de Inovação e Competitividade (Conic), dirigido por Sylvio Gomide.
O levantamento foi detalhado por Renato Corona, superintendente de Competitividade Industrial e Inovação da Fiesp, e aponta a inteligência artificial (IA), a descarbonização, a reorganização das cadeias de suprimentos e a disputa global por minerais críticos como fatores determinantes para o futuro da atividade industrial.
Segundo a análise, o desafio do Brasil é transformar seus recursos naturais, sua capacidade técnica e seu potencial energético em produtos industrializados de maior valor agregado, ampliando a produção nacional e reduzindo a dependência da exportação de matérias-primas.
Inteligência artificial e modernização industrial
A expansão da inteligência artificial e da robótica deve transformar os processos produtivos, exigindo investimentos em automação, conectividade, infraestrutura computacional e qualificação profissional.
O relatório destaca que os ganhos de produtividade dependem não apenas da adoção de novas tecnologias, mas também da capacidade das empresas de utilizar dados operacionais, desenvolver conhecimento próprio e integrar soluções digitais às linhas de produção.
Nesse cenário, a modernização de máquinas e equipamentos, a manutenção preditiva e a segurança cibernética ganham importância estratégica. A formação de profissionais especializados em análise de dados, programação e controle de processos também será fundamental para ampliar a eficiência das operações industriais.
A crescente demanda por processamento de dados, por sua vez, amplia a necessidade de infraestrutura elétrica e de soluções capazes de conciliar desempenho industrial e eficiência energética.
Cadeias produtivas e competitividade global
As mudanças geopolíticas e as políticas de proteção econômica estão redesenhando as cadeias globais de produção. De acordo com o estudo, estratégias de regionalização e nearshoring — aproximação das operações industriais dos mercados consumidores — ganham espaço diante da necessidade de reduzir riscos logísticos e garantir o abastecimento.
A rastreabilidade das matérias-primas e o atendimento a requisitos ambientais também se tornam condições importantes para o acesso a mercados internacionais.
Nesse contexto, a indústria brasileira precisa avançar na modernização de suas fábricas, na gestão de fornecedores e na conformidade com normas internacionais. A agregação de valor tecnológico aos produtos nacionais é apontada como um caminho para reduzir a exposição a barreiras comerciais e ampliar a competitividade das exportações.
Minerais críticos e transição energética
A transição energética mundial amplia a demanda por minerais como lítio, cobre, níquel, nióbio e elementos de terras raras, utilizados em tecnologias de eletrificação, geração renovável, baterias e componentes eletrônicos.
Para a Fiesp, o Brasil tem oportunidades de ampliar sua participação nessas cadeias produtivas, desde que avance além da extração e exportação de matérias-primas. O processamento local, o refino e a fabricação de componentes podem contribuir para aumentar o valor agregado e fortalecer a indústria nacional.
A disponibilidade de energia renovável também representa uma vantagem para a instalação de atividades industriais de menor intensidade de carbono, incluindo a produção de hidrogênio de baixas emissões, aço descarbonizado e produtos químicos sustentáveis.
A concretização dessas oportunidades, entretanto, depende de investimentos em infraestrutura de transmissão e distribuição de energia, logística multimodal e maior previsibilidade regulatória.
Biocombustíveis e mobilidade verde
O relatório também identifica oportunidades na integração entre agronegócio, indústria química e transição energética. O desenvolvimento de biocombustíveis avançados, biogás produzido a partir de resíduos orgânicos e fertilizantes de fontes renováveis pode ampliar o aproveitamento dos recursos nacionais e diversificar as alternativas energéticas.
Na mobilidade, o estudo destaca a possibilidade de combinar eletrificação e biocombustíveis em soluções adaptadas às condições brasileiras. Entre as alternativas estão veículos híbridos a etanol e tecnologias associadas ao uso de hidrogênio, além do desenvolvimento de ônibus elétricos e híbridos.
Para aproveitar esse potencial, será necessário fortalecer a cadeia nacional de fornecedores, ampliar investimentos em pesquisa e desenvolvimento e estimular a cooperação entre universidades, centros tecnológicos e empresas.
Inovação como estratégia para 2040
O documento da Fiesp ressalta que a competitividade industrial dependerá da capacidade de acelerar a inovação, ampliar o registro de patentes e transformar conhecimento científico em aplicações comerciais e produtivas.
Entre os desafios estão a superação de gargalos logísticos, a ampliação da infraestrutura energética, a qualificação da mão de obra e a criação de condições favoráveis aos investimentos de longo prazo.
A articulação entre o setor privado e o poder público também é considerada essencial para viabilizar projetos industriais e reduzir obstáculos regulatórios e operacionais.
O relatório Macrotendências Mundiais 2040 aponta, assim, que o aproveitamento das oportunidades em inteligência artificial, energia limpa, minerais críticos e mobilidade verde poderá contribuir para fortalecer a indústria de transformação brasileira. O avanço dependerá da capacidade de converter os recursos naturais e o conhecimento tecnológico do país em produtividade, inovação e produtos de maior valor agregado.
Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).
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