Locação de caminhões retoma compras e prepara expansão para 2027, avalia Mercedes-Benz
Após período de ajustes provocado pelos juros elevados e pela pressão financeira no transporte, locadoras voltam a planejar frotas e negociar novos veículos
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| Mercado de locação de caminhões retoma as compras e o planejamento de frotas para 2027, após período de ajustes provocado pelos juros elevados. |
O mercado de locação de caminhões começa a recuperar o ritmo de compras após um período de acomodação entre o fim de 2025 e o primeiro semestre de 2026. A elevação do custo de capital e os impactos das recuperações judiciais no setor de transporte levaram empresas a rever estratégias, reduzir estoques e adotar novos critérios para a aquisição de veículos.
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| Jefferson Ferrarez, vice-presidente de Vendas, Marketing, Peças e Serviços de Caminhões da Mercedes-Benz do Brasil |
A avaliação é de Jefferson Ferrarez, vice-presidente de Vendas, Marketing, Peças e Serviços de Caminhões da Mercedes-Benz do Brasil. Segundo o executivo, o segmento vinha apresentando forte expansão, mas precisou ajustar suas operações diante das condições financeiras. Agora, o movimento começa a mudar.
“O mercado de locação vinha em uma crescente muito boa, deu uma parada para se reajustar. Não que tenha estagnado, mas parou o ritmo de crescimento e agora está retornando”, afirma Ferrarez.
Juros elevados mudaram a estratégia das locadoras
O aumento das taxas de juros pressionou o modelo de negócio das empresas de locação, que exige investimentos expressivos na aquisição de frotas. Até então, parte das operações trabalhava com estoques próprios de caminhões para atender à demanda com maior agilidade.
Com o encarecimento do crédito, essa estratégia perdeu atratividade. As empresas passaram a priorizar a contratação com o cliente final antes de encomendar os veículos às montadoras, reduzindo a necessidade de manter caminhões parados à espera de novos contratos.
A mudança provocou um intervalo de aproximadamente seis meses no ritmo de compras do segmento, segundo o diagnóstico apresentado pelo executivo.
Outro fator de pressão foi o aumento dos pedidos de recuperação judicial entre transportadores. A devolução de veículos exigiu das locadoras um esforço adicional para absorver as frotas, reorganizar os ativos e buscar alternativas de comercialização no mercado secundário. Esse movimento também afetou as margens e os preços dos caminhões usados.
“A taxa de juros ficou muito cara para todo mundo e as locadoras tiveram que fazer uma reorganização interna de custos e estoques”, destaca Ferrarez.
Retomada das compras e planejamento para 2027
Apesar das dificuldades enfrentadas pelo setor, os sinais mais recentes apontam para uma retomada gradual das negociações. De acordo com Ferrarez, nos últimos três a quatro meses, as locadoras voltaram a intensificar as compras, o planejamento de frota e as conversas comerciais com as montadoras.
O movimento contempla tanto o encerramento de 2026 quanto a preparação das operações para 2027. Com uma estrutura financeira reorganizada, as empresas começam a encontrar condições para fechar novos negócios e dimensionar suas necessidades de veículos de acordo com a demanda contratada.
A retomada, entretanto, ocorre em um ambiente diferente daquele observado durante o ciclo de expansão anterior. A gestão de estoques, a avaliação de riscos e a previsibilidade dos contratos ganharam importância nas decisões de investimento.
Contratos flexíveis ampliam oportunidades
A nova configuração do mercado também favorece modelos de locação mais flexíveis. Com estoques mais enxutos e critérios próprios de análise de crédito, as empresas buscam atender transportadores que enfrentam dificuldades para obter financiamento bancário tradicional ou assumir compromissos de longo prazo.
Essa adaptação abre oportunidades para a indústria de caminhões e para as próprias montadoras, que acompanham a evolução das operações de locação para ajustar produtos, condições comerciais e estratégias de atendimento.
Na avaliação de Ferrarez, o acompanhamento detalhado das necessidades dos clientes e das condições financeiras das locadoras é fundamental para compreender o momento do setor e identificar oportunidades de negócios.
Mercedes-Benz amplia atuação no segmento
A Mercedes-Benz também participa desse mercado por meio da Daimler Truck Locações e Serviços, empresa criada no início de 2024 e controlada pelo braço financeiro da Daimler Truck no Brasil.
A operação amplia a presença da companhia no segmento de locação de caminhões, em um cenário no qual o acesso ao crédito e a gestão dos investimentos em frota influenciam diretamente as decisões dos transportadores.
Para parte dos clientes, a locação representa uma alternativa à compra financiada, permitindo o acesso a caminhões novos sem a necessidade de estruturar a aquisição nos mesmos moldes de um financiamento bancário convencional.
“Como a taxa de juros continua elevada, a locação voltou a tornar viáveis negócios para boa parte dos clientes que não passam pela análise de crédito tradicional dos bancos. E todo mundo precisa de caminhão novo para fazer esse mercado operar”, conclui Ferrarez.
Com a reorganização financeira das locadoras e a retomada das negociações, o segmento volta a ganhar espaço no planejamento da indústria de veículos comerciais. A evolução dos juros, a demanda por transporte e a capacidade das empresas de estruturar contratos sustentáveis serão fatores importantes para determinar o ritmo de crescimento ao longo de 2027.
Mercedes-Benz - www.mercedes-benz.com.br
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