Scania aponta infraestrutura como chave para expansão dos caminhões a biometano no Brasil
Corredor Verde da TransJordano conecta Ribeirão Preto, Sumaré e Cubatão, com 450 quilômetros de extensão, abastecimento dedicado e previsão de redução de emissões no transporte rodoviário de cargas.
A expansão dos caminhões movidos a biometano no Brasil depende não apenas da disponibilidade de veículos e combustível, mas também da implantação de infraestrutura de abastecimento nas principais rotas logísticas do país. Esse foi um dos pontos destacados pela Scania durante o lançamento do Corredor Verde da TransJordano, realizado em 7 de outubro, em Sumaré (SP).
O projeto prevê a implantação de um eixo de abastecimento com aproximadamente 450 quilômetros, conectando Ribeirão Preto, Sumaré e Cubatão, com acesso à região do Porto de Santos. A iniciativa contempla uma frota de 100 caminhões Scania G 460 6x4 movidos a biometano, com autonomia aproximada de 700 quilômetros, além de três pontos de abastecimento operados pela GarageLog, empresa do grupo TransJordano.
Infraestrutura para ampliar o uso do biometano
Durante o evento, André Gentil, gerente de Vendas de Soluções de Transporte a Frotistas da Scania Brasil, ressaltou que a falta de postos preparados para fornecer biometano nas rodovias era um dos principais obstáculos identificados pela montadora quando começou a desenvolver sua estratégia de caminhões a gás no país, por volta de 2018.
“Existe tanto potencial de biometano no Brasil, mas ele ainda não chega aos postos e não consegue abastecer o caminhão”, afirmou o executivo ao recordar os desafios iniciais. Diante da estrutura implantada pela TransJordano, Gentil destacou o avanço representado pela chegada do combustível aos pontos de abastecimento.
O cenário ocorre em um momento de crescimento da produção nacional de biometano. Segundo a Associação Brasileira do Biogás e do Biometano (ABiogás), o volume produzido no Brasil aumentou aproximadamente 75% em 2025, alcançando 1,06 milhão de metros cúbicos por dia. A ampliação da infraestrutura rodoviária, entretanto, permanece fundamental para converter a oferta do combustível em operações comerciais de transporte.
Projeto integra frota, abastecimento e logística
Segundo Jordano Bessa, diretor de Novos Negócios da TransJordano, o Corredor Verde nasceu da necessidade de desenvolver uma solução integrada para viabilizar o uso do biometano na operação da transportadora e criar condições para que outras empresas também possam utilizar a infraestrutura.
Os estudos começaram em junho de 2025, quando a companhia passou a avaliar alternativas energéticas para sua frota. A análise considerou as rotas atendidas pela empresa, o perfil dos clientes e a necessidade de compatibilizar a aquisição dos caminhões com a disponibilidade de abastecimento.
A implantação será gradual. O primeiro ponto está localizado em Sumaré, enquanto as unidades de Ribeirão Preto e Cubatão têm inaugurações previstas para novembro e dezembro de 2026, respectivamente.
Redução de emissões no transporte de cargas
Além da infraestrutura, o projeto está relacionado às metas ambientais da TransJordano e de seus clientes. Com a frota completa, a empresa estima percorrer aproximadamente 5,5 milhões de quilômetros por ano com os caminhões movidos a biometano, volume equivalente a cerca de 17% da quilometragem anual da transportadora.
A expectativa é evitar aproximadamente 6.486 toneladas de CO₂ equivalente por ano, conforme os indicadores do projeto submetidos à verificação independente da Bureau Veritas.
Apesar do potencial da tecnologia, os indicadores de mercado apontam desafios para a expansão comercial. Dados da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), divulgados pela imprensa especializada, mostram que os emplacamentos de caminhões a gás caíram 33,3% entre janeiro e julho de 2026, passando de 507 para 338 unidades na comparação com o mesmo período de 2025.
Em contrapartida, a Scania anunciou, em agosto, a expectativa comercial de 750 caminhões a gás em 2026, considerando vendas realizadas e unidades em carteira. Os indicadores possuem bases distintas, mas reforçam a importância de ampliar as condições operacionais para a adoção dessa tecnologia.
O Corredor Verde da TransJordano representa uma iniciativa para integrar veículos, abastecimento e planejamento logístico em uma mesma operação. A expansão desse modelo dependerá da capacidade de desenvolver uma infraestrutura compatível com as rotas de transporte e de ampliar o acesso ao biometano nas principais regiões econômicas do país.
www.canaldiesel.com.br
#CanalDiesel #Scania #TransJordano #Biometano #Caminhões #TransporteRodoviário #Logística #Sustentabilidade



