Alcides Cavalcanti, diretor-executivo da Volvo Caminhões, destaca impacto do Move Brasil na retomada das vendas de caminhões
O programa de renovação de frota Move Brasil, lançado em dezembro de 2025 pelo governo federal, vem se consolidando como um dos principais indutores das vendas de caminhões no início de 2026. Com aproximadamente R$ 2 bilhões em crédito já liberados, a iniciativa reforça a confiança do setor e contribui para reaquecer o ciclo de investimentos no transporte rodoviário de cargas.
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| Alcides Cavalcanti, diretor-executivo da Volvo Caminhões |
Para Alcides Cavalcanti, diretor-executivo da Volvo Caminhões, o programa representa um instrumento relevante para melhorar as condições de financiamento e destravar decisões estratégicas que estavam represadas em um ambiente de juros elevados. Em entrevista ao videocast Transporte Moderno, o executivo ressaltou que a linha tem exercido papel decisivo na retomada do apetite por renovação de frota.
Com taxas de 1,05% ao mês — inferiores às praticadas em linhas tradicionais, que variam entre 1,25% e 1,30% ao mês — o Move Brasil passou a concentrar grande parte das negociações do setor. Segundo o executivo, a montadora já negociou cerca de 300 caminhões por meio da linha, principalmente para médios e grandes frotistas.
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| Alcides Cavalcanti, diretor-executivo da Volvo Caminhões |
A diferença aparentemente modesta na taxa mensal ganha relevância no longo prazo. Em contratos de até 60 meses, o impacto financeiro acumulado torna-se expressivo, reduzindo significativamente o custo total do investimento e fortalecendo a viabilidade econômica da aquisição.
Estruturado como Finame com recursos do Tesouro Nacional e do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, o programa apresenta um desenho considerado mais simples e operacionalmente eficiente do que iniciativas anteriores. A familiaridade do mercado com o modelo facilita a adesão por parte de instituições financeiras e clientes.
Na avaliação da liderança da Volvo Caminhões, o Move Brasil cumpre papel estratégico ao antecipar compras que estavam postergadas, especialmente no segmento de caminhões pesados, contribuindo para restabelecer o ritmo de renovação de frota e fortalecer a dinâmica do setor em 2026.
Antecipar compras, reduzir custos e modernizar frotas: o impacto do Move Brasil
O Move Brasil revela-se mais do que um instrumento conjuntural de estímulo às vendas: trata-se de um mecanismo de reorganização temporária do ciclo de investimentos do transporte rodoviário de cargas. Ao reduzir o custo do capital em um ambiente ainda pressionado por juros elevados, o programa corrige parcialmente uma distorção financeira que vinha postergando decisões essenciais de renovação de frota.
Entretanto, sua principal característica — a antecipação de compras — também delimita seu alcance estrutural. Ao concentrar negociações no curto prazo, o programa tende a deslocar a curva de demanda, trazendo para 2026 investimentos que poderiam ocorrer em 2027 ou 2028. Isso exige cautela das montadoras e da cadeia produtiva, que precisam equilibrar capacidade industrial, planejamento de estoques e previsibilidade de mercado para evitar ciclos de euforia seguidos por retração.
O modelo baseado em Finame com recursos do Tesouro e do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social traz um elemento relevante de estabilidade institucional. A previsibilidade operacional e a familiaridade dos agentes financeiros com o mecanismo reduzem fricções e ampliam a eficiência do crédito direcionado. Ainda assim, sua sustentabilidade dependerá do espaço fiscal e da continuidade das políticas públicas de incentivo à renovação da frota nacional.
Para o segmento de pesados — que exige maior investimento unitário e planejamento logístico de longo prazo — o impacto é particularmente significativo. A renovação não apenas reduz custos operacionais e melhora eficiência energética, mas também eleva padrões de segurança e desempenho ambiental, fatores cada vez mais determinantes na competitividade das transportadoras.
Em síntese, o Move Brasil cumpre papel relevante como catalisador e indutor de decisões no curto prazo. Porém, sua real contribuição estrutural ao setor dependerá da capacidade de transformar o impulso financeiro inicial em um ciclo sustentável de modernização, produtividade e ganho de eficiência sistêmica para o transporte brasileiro.
Créditos: Matéria produzida pelo Canal Diesel – www.canaldiesel.com.br
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