Congresso Megatendências AutoData 2026 discute futuro da indústria automotiva no Brasil
O Congresso Megatendências AutoData 2026, realizado em São Paulo, no ultimo dia 06 de abril, reuniu executivos, especialistas e líderes da indústria automotiva para debater os desafios e oportunidades do setor nos próximos anos.
Com foco em transformação tecnológica, mobilidade, descarbonização, conectividade e inovação, o evento apresentou uma visão estratégica sobre como o Brasil pode se posicionar frente às mudanças globais, fortalecendo investimentos, parcerias e a indústria local.
| Executivos e especialistas reunidos no Congresso Megatendências AutoData 2026 em São Paulo, discutindo o futuro da indústria automotiva brasileira, inovação e sustentabilidade |
Descarbonização e combustíveis do futuro
Durante o congresso, Eduardo Oliveira, diretor de pesquisa e desenvolvimento da Iveco para a América Latina, destacou que a descarbonização do transporte exige soluções adaptadas à realidade brasileira. Segundo ele, o futuro será multi energético, combinando diesel, biocombustíveis, gás natural, biometano, eletrificação e hidrogênio. O executivo ressaltou o papel estratégico do biodiesel e do etanol, além do potencial do biometano como alternativa sustentável e economicamente viável no curto e médio prazo.
Oliveira acrescentou que a eletrificação ainda enfrenta desafios no país, enquanto o hidrogênio surge como aposta de longo prazo. Para a Iveco, o caminhão do futuro será definido não apenas pelo combustível, mas pela eficiência, conectividade e adaptação às diferentes operações, sempre com foco na viabilidade econômica.
Produção local e estratégia global das montadoras
A GWM avançou em sua estratégia de consolidação no Brasil, com a produção iniciada em agosto de 2025 em sua unidade de Iracemápolis (SP). O chairman global da companhia, Jack Wey, destacou que o Brasil é mais do que um mercado estratégico: é peça fundamental no futuro global da empresa. Segundo ele, a atuação da GWM no país prioriza consistência, construção de reputação, investimentos contínuos, produtos confiáveis e serviços de qualidade, evitando competir apenas por preço. A montadora também aposta na colaboração com fornecedores locais, instituições de pesquisa, universidades e parceiros estratégicos, fortalecendo o ecossistema industrial brasileiro.
| Ivan Segal, diretor global de vendas e operações e vendas da Renault |
A Renault apresentou sua estratégia global Futuready, com o objetivo de ultrapassar 2 milhões de veículos vendidos e acelerar sua expansão fora da Europa. Segundo Ivan Segal, diretor global de vendas e operações, a empresa aposta na eletrificação como motor de crescimento, buscando atingir 100% de vendas eletrificadas na Europa e cerca de 50% nos demais mercados. A estratégia combina veículos elétricos e híbridos, respeitando as particularidades regionais, como o uso do etanol e tecnologia flex no Brasil.
A Renault também destacou parcerias estratégicas, como a joint venture Horse, com Geely e Aramco, voltada ao desenvolvimento de motores a combustão, e a cooperação com a Geely para produção de novos modelos no Brasil a partir de 2026.
Indústria de autopeças e competitividade
Executivos de empresas sistemistas globais defenderam a necessidade de acelerar a adaptação tecnológica e reforçar parcerias na indústria de autopeças. Thiago Bastos, presidente regional da Bosch Vehicle Motion para a América Latina, afirmou que a entrada de fabricantes asiáticos exige revisão estratégica da cadeia de fornecimento, com foco em tecnologia, informação, liderança e adaptação às condições brasileiras.
| Sílvio Furtado, vice-presidente da ZF América do Sul |
Sílvio Furtado, vice-presidente da ZF América do Sul, ressaltou que competitividade vai além do preço, envolvendo inovação, engenharia e eficiência operacional. Ambos destacaram a importância da qualificação profissional e do desenvolvimento da engenharia local para enfrentar a transformação tecnológica, incluindo eletrificação, digitalização e software embarcado.
Investimentos e apoio financeiro
Durante o congresso, Bruno Plattek de Araújo, gerente do BNDES, avaliou que a indústria automotiva global passa por uma transformação estrutural, impulsionada por descarbonização, mudanças no consumo e tensões geopolíticas. Ele ressaltou que o Brasil mantém posição relevante no cenário global, mas precisa de maior apoio ao investimento produtivo, modernização tecnológica e desenvolvimento de novos produtos.
Araújo apontou que a escassez de mão de obra qualificada é um gargalo para a transição tecnológica e destacou o aumento do financiamento do BNDES ao setor. Ele também sugeriu programas que integrem renovação de frota, descarbonização e retrofit de veículos antigos.
Inteligência artificial e conectividade
Outro tema em debate foi o uso da inteligência artificial em veículos conectados, com foco na privacidade dos dados. Frederico Gadelha Guimarães, da Fundep, explicou que a conectividade será cada vez mais presente, exigindo soluções que conciliem inovação e conformidade com a LGPD. A instituição aposta no aprendizado federado, processando dados dentro do veículo e enviando apenas parâmetros à nuvem, reduzindo riscos e custos.
A Fundep também lançará chamada pública para projetos voltados à descarbonização, conectividade, segurança de dados e manutenção preditiva, reforçando a busca por competitividade e inovação na indústria brasileira.
Híbridos e biocombustíveis guiam futuro automotivo no Brasil
No painel, os executivos reforçaram que, apesar do avanço da eletrificação no mundo, o Brasil seguirá priorizando soluções híbridas e o uso de biocombustíveis, combinando sustentabilidade e viabilidade econômica. Roberto Braun, da Toyota, destacou a importância de nacionalizar componentes estratégicos, enquanto Ricardo Plöger, da Volkswagen, ressaltou o equilíbrio nos investimentos e o papel do flex-híbrido na mobilidade sustentável. Além disso, segurança e conectividade foram apontadas como tendências que vão moldar os carros do futuro, com tecnologias cada vez mais integradas ao dia a dia dos motoristas.
Vendas de caminhões caem e indústria espera renovação do Move Brasil
Executivos da Iveco, Scania e Volkswagen Caminhões e Ônibus manifestaram preocupação com a queda de 28,7% nas vendas de caminhões no primeiro bimestre de 2026, totalizando 13,1 mil unidades, apesar do programa Move Brasil e do crédito de R$ 10 bilhões a juros subsidiados.
Eles defenderam a renovação do programa, incluindo ônibus, implementos rodoviários e ampliação de acesso para autônomos, além de reforçar a cadeia de fornecedores locais para manter a competitividade do setor.
Autodata - https://www.autodata.com.br/
Canal Diesel – www.canaldiesel.com.br
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