Move Brasil 2 consome metade dos recursos em três semanas e acelera renovação da frota
O setor de transporte rodoviário vive uma corrida pelo crédito subsidiado. Lançado para impulsionar a renovação da frota de veículos pesados, o programa Move Brasil 2 já consumiu aproximadamente metade dos R$ 21,2 bilhões disponibilizados pelo Governo Federal em apenas três semanas de operação efetiva.
No segmento de ônibus, a procura avança em ritmo ainda mais acelerado: cerca de 75% dos recursos destinados à modalidade já foram comprometidos.
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| Oscar Jaern, presidente da divisão de serviços financeiros da Scania Brasil, |
Segundo Oscar Jaern, presidente da divisão de serviços financeiros da Scania Brasil, a velocidade de utilização dos recursos evidencia uma demanda reprimida por investimentos no setor.
“Os quilômetros rodados continuam elevados e a atividade dos transportadores segue saudável. O que pressiona o setor é o fluxo de caixa e o custo do financiamento”, afirmou o executivo.
De acordo com Jaern, muitos empresários adiaram a renovação da frota nos últimos anos devido ao elevado custo do crédito. Agora, com linhas subsidiadas próximas de 1% ao mês, os transportadores voltaram a investir na aquisição de veículos novos.
Juros elevados adiaram investimentos
O movimento observado pela instituição financeira da montadora reforça esse cenário. Desde o lançamento do Move Brasil 2, as solicitações de crédito recebidas dobraram, registrando um crescimento de 100%.
O avanço supera, inclusive, o desempenho da primeira fase do programa, quando a demanda aumentou cerca de 60%.
Para Jaern, o programa não criou uma nova demanda, mas antecipou investimentos que estavam represados pela conjuntura macroeconômica.
“Alguns clientes deixaram de comprar no ano passado porque os juros estavam altos. Agora, aproveitam este momento para realizar investimentos que haviam sido postergados”, explicou.
Bancos de montadoras ganham protagonismo
O avanço da segunda fase do Move Brasil também reforça o papel estratégico dos bancos ligados às fabricantes de veículos comerciais.
Diferentemente das instituições financeiras tradicionais, essas operações contam com maior especialização no transporte rodoviário, permitindo avaliações mais precisas sobre os riscos do setor e o desenvolvimento de soluções financeiras alinhadas às necessidades dos transportadores.
“Nossos analistas lidam diariamente com empresas de transporte. Isso gera mais conhecimento sobre o negócio e permite uma abordagem consultiva junto aos clientes”, destacou Jaern.
Atualmente, a divisão financeira da Scania administra uma carteira próxima de R$ 15 bilhões em financiamentos. No segmento de consórcios, o volume sob gestão alcança patamar semelhante.
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