World Agri-Tech South America 2026: biocombustíveis ganham protagonismo no futuro do agro
A integração entre agricultura, energia renovável e inovação tecnológica esteve no centro das discussões da World Agri-Tech South America 2026, realizada em São Paulo.
Durante o painel "Biocombustíveis sustentáveis em escala: convertendo o impulso político, tecnologia e capital em crescimento lucrativo", especialistas dos setores agrícola, energético e logístico analisaram os caminhos para ampliar a produção e o uso de combustíveis renováveis, reforçando o papel estratégico do Brasil na transição para uma economia de baixo carbono.
Representando a AGCO, líder global em máquinas agrícolas e tecnologias para agricultura de precisão, o Diretor Geral para a América Latina, Marcelo Traldi, destacou que o país reúne condições favoráveis para liderar a expansão dos biocombustíveis graças à combinação de abundância de matéria-prima, matriz energética renovável, parque industrial consolidado e um setor agropecuário altamente tecnificado.
Segundo o executivo, a união entre agricultura e geração de energia cria uma oportunidade inédita para aumentar a competitividade do agronegócio, reduzir as emissões de gases de efeito estufa e gerar novas fontes de receita para os produtores rurais.
"O Brasil reúne condições únicas para liderar essa transformação. Temos disponibilidade de matéria-prima, uma matriz energética renovável, capacidade industrial instalada e produtores altamente tecnificados. A integração entre agricultura e energia cria uma oportunidade sem precedentes para aumentar a competitividade do agro, reduzir emissões e gerar novas fontes de receita para o produtor", afirmou Marcelo Traldi.
Bioenergia impulsiona novo modelo para o campo
Durante o debate, Traldi ressaltou que a evolução dos biocombustíveis vai muito além da substituição do diesel e de outros combustíveis fósseis. Na avaliação do executivo, o setor caminha para um modelo produtivo baseado na economia circular, onde resíduos agrícolas passam a ser transformados em energia, agregando valor às propriedades rurais.
Nesse contexto, soluções como o biometano e o etanol ganham protagonismo ao permitir que fazendas e usinas produzam parte da energia consumida em suas próprias operações, reduzindo custos operacionais e aumentando a independência energética.
O painel também contou com representantes de outras empresas do setor, que apontaram como tendências o crescimento acelerado do etanol de milho, a expansão da produção de biometano e o aumento da demanda por combustíveis sustentáveis para os segmentos marítimo e de aviação. Esses fatores devem impulsionar novos investimentos na bioeconomia da América do Sul nos próximos anos.
AGCO prepara nova geração de motores movidos a combustíveis renováveis
Alinhada à evolução da matriz energética, a AGCO vem investindo no desenvolvimento de soluções capazes de atender às futuras demandas do setor agrícola.
A companhia apresentou recentemente seus novos motores AGCO Power movidos a etanol e biometano, desenvolvidos após mais de 20 mil horas de testes em operações agrícolas de cana-de-açúcar e grãos, submetidos a condições severas de trabalho.
Os novos propulsores deverão chegar ao mercado entre 2027 e 2028 equipando tratores das marcas Valtra e Massey Ferguson.
Com potência entre 200 e 300 cavalos, os motores oferecem desempenho equivalente aos modelos movidos a diesel, porém com potencial para reduzir em até 90% as emissões de carbono em comparação aos combustíveis convencionais.
Para Marcelo Traldi, essa evolução representa uma mudança estrutural na agricultura.
"Acreditamos que a próxima grande evolução da agricultura será a autonomia energética no campo. O agricultor passa a produzir não apenas alimentos, fibras e biomassa, mas também a energia necessária para movimentar sua operação. É um modelo que combina sustentabilidade, eficiência econômica e segurança energética", destacou.
Brasil pode assumir protagonismo na transição energética do agro
Reconhecida como um dos principais fóruns internacionais dedicados à inovação no agronegócio, a World Agri-Tech South America reúne empresas, investidores, startups e lideranças globais para discutir tecnologias voltadas ao futuro da produção de alimentos, energia e sustentabilidade.
Os debates realizados durante a edição de 2026 reforçaram que o Brasil possui condições estratégicas para liderar a expansão da bioenergia mundial. Com o avanço de tecnologias voltadas aos biocombustíveis e à mecanização agrícola sustentável, o país amplia seu potencial de consolidar um modelo de produção que alia produtividade, rentabilidade e redução dos impactos ambientais.
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