JAC Motors lidera mercado brasileiro de caminhões elétricos no primeiro semestre de 2026 e amplia estratégia para veículos comerciais
A JAC Motors encerrou o primeiro semestre de 2026 na liderança do mercado brasileiro de caminhões elétricos, consolidando sua posição em um segmento que, embora ainda represente uma pequena parcela das vendas nacionais, vem ganhando importância na transição para uma mobilidade mais sustentável no transporte de cargas.
Dados da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave) mostram que a marca licenciou 98 caminhões elétricos entre janeiro e junho, o equivalente a mais de 60% dos 162 veículos emplacados no período. O desempenho coloca a fabricante à frente da Foton, com 24 unidades, e da Sany, que registrou 22 caminhões. Na sequência aparecem a Volkswagen Caminhões e Ônibus, com nove emplacamentos, Tesla e Nanjing, com três unidades cada, além da Mercedes-Benz, com dois veículos

Apesar da liderança consolidada da JAC, o mercado brasileiro de caminhões elétricos apresentou retração no comparativo anual. Foram comercializadas 162 unidades no primeiro semestre de 2026, volume 15,3% inferior às 190 registradas no mesmo período de 2025.
Portfólio diversificado impulsiona liderança
Um dos principais fatores para o desempenho da JAC está na amplitude de seu portfólio. A fabricante oferece modelos destinados praticamente a todas as categorias de distribuição urbana, desde Veículos Urbanos de Carga (VUCs) até caminhões semipesados, permitindo atender diferentes perfis de operação.
Entre os modelos disponíveis estão o E-JT3.5, com Peso Bruto Total (PBT) de 3.495 kg e autonomia de até 230 quilômetros, o E-JT9.5, os urbanos iEV 1200T e 1200T Plus, além dos caminhões E-JT12.5 e E-JT18.0, este último com autonomia que pode alcançar 500 quilômetros.
A estratégia está concentrada nas operações urbanas, segmento considerado o mais favorável para a eletrificação. Rotas previsíveis, menor quilometragem diária e possibilidade de recarga nas garagens das empresas reduzem significativamente os desafios relacionados à infraestrutura de abastecimento.
Concorrência ganhou força em junho
Embora a JAC tenha liderado o acumulado do semestre, o cenário ficou mais equilibrado no último mês do período.
Em junho, JAC e Foton dividiram a liderança mensal, com quatro caminhões elétricos vendidos cada uma, correspondendo a 36,4% das vendas do mês. A Volkswagen Caminhões e Ônibus ficou na terceira colocação com duas unidades, enquanto a Sany registrou um caminhão.
No mês anterior, entretanto, a vantagem da JAC havia sido mais expressiva. Em maio, dos 28 caminhões elétricos vendidos no país, 12 pertenciam à marca. A Sany ocupou a segunda posição com nove unidades e a Foton apareceu logo atrás, com cinco veículos comercializados.
Fabricantes chinesas dominam a eletrificação
Somadas, JAC, Foton e Sany responderam por aproximadamente 89% dos caminhões elétricos vendidos no Brasil durante o primeiro semestre de 2026.
O desempenho acompanha a liderança global da indústria chinesa na produção de veículos comerciais eletrificados, impulsionada por elevados investimentos em baterias, tecnologia, eletrificação e capacidade industrial.
Embora a Volkswagen Caminhões e Ônibus participe do segmento com o e-Delivery, fabricantes como Mercedes-Benz ainda mantêm seus caminhões elétricos em programas de avaliação junto a clientes brasileiros. Já a Tesla e a Nanjing ainda não possuem operações estruturadas para comercialização regular de caminhões elétricos no país.
Participação dos elétricos ainda é pequena
Apesar do crescimento da oferta de modelos, os caminhões elétricos continuam representando uma parcela reduzida do mercado brasileiro.
Levantamento do Instituto de Logística e Supply Chain (Ilos) aponta que os veículos elétricos corresponderam a apenas 0,4% das vendas nacionais de caminhões em 2025.
O índice permanece distante da média mundial, estimada em aproximadamente 9%. Na China, os caminhões elétricos já representam cerca de 26% das vendas, enquanto na União Europeia essa participação gira em torno de 4%.
Segundo o Ilos, a eletrificação deverá avançar inicialmente nas operações urbanas e regionais, onde as características operacionais favorecem o uso desse tipo de tecnologia. Já a expansão para o transporte rodoviário de longa distância dependerá da evolução da autonomia das baterias, da ampliação da infraestrutura de recarga e da redução do custo total de propriedade dos veículos.
Operação dos elétricos permanece com o Grupo SHC
Embora a JAC lidere o segmento de caminhões elétricos no Brasil, essa operação continuará sob responsabilidade do Grupo SHC, comandado pelo empresário Sergio Habib, representante oficial da marca no país desde 2011.
A operação própria anunciada recentemente pela matriz chinesa será direcionada exclusivamente aos caminhões movidos a diesel e, futuramente, também aos modelos equipados com motores a gás natural.
Na prática, a fabricante passará a atuar por meio de duas estruturas independentes no mercado brasileiro. O Grupo SHC continuará responsável pela importação e comercialização dos caminhões elétricos, enquanto a subsidiária da JAC China ficará encarregada da expansão da marca no segmento de veículos comerciais convencionais.
Nova ofensiva contempla caminhões diesel e futura produção nacional
A nova operação inicia suas atividades com quatro modelos importados da China nas categorias de 9, 13, 17 e 25 toneladas. Três caminhões já receberam homologação para o mercado brasileiro, enquanto o modelo de 13 toneladas aguarda apenas a certificação final.
O plano prevê a formação de uma rede composta por 18 grupos concessionários, reunindo entre 30 e 40 lojas até o final de 2026. Para 2027, a expectativa é ampliar essa estrutura para aproximadamente 60 concessionárias.
Os veículos serão desembarcados pelo Porto de Itajaí, em Santa Catarina, com prazo logístico estimado em cerca de 90 dias. A meta inicial é importar pelo menos 700 caminhões no primeiro ano da operação.
A estratégia inclui ainda a construção de uma fábrica no Brasil até 2027. A unidade deverá operar inicialmente nos sistemas CKD e SKD, aumentando gradualmente o índice de nacionalização dos veículos e possibilitando acesso a linhas de financiamento de bancos públicos.
Os estados de Goiás, Espírito Santo, Paraná e regiões do Nordeste disputam a instalação da futura unidade industrial. Segundo Adriano Chiarini, diretor comercial da operação própria da JAC, a escolha dependerá das condições oferecidas pelos governos estaduais.
Além da expansão no segmento de caminhões convencionais, a JAC confirmou presença na Fenatran 2026, onde deverá apresentar oficialmente sua estratégia para fortalecer sua participação no mercado brasileiro de veículos comerciais.
Fenabrave – www.fenabrave.org.br
Instituto de Logística e Supply Chain (Ilos) – www.ilos.com.br
JAC Motors Brasil – www.jacmotors.com.br
Canal Diesel – www.canaldiesel.com.br
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