Petrobras descarta risco de falta de diesel e aponta Índia como alternativa às importações dos EUA

A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, minimizou nesta quinta-feira (24) o risco de uma eventual suspensão temporária das exportações de diesel pelos Estados Unidos e afirmou que a companhia possui alternativas para preservar o abastecimento do mercado brasileiro.




A declaração foi dada durante a ROG.e 2026, no Rio de Janeiro. Segundo Magda, a Casa Branca já teria negado os rumores sobre uma interrupção das exportações americanas. A executiva também destacou que a participação do diesel importado dos Estados Unidos no abastecimento da Petrobras é limitada diante da capacidade de produção e do processo de ampliação e adequação do parque de refino da companhia.


Índia aparece como alternativa

Magda afirmou que a Petrobras mantém relacionamento comercial com refinadores de diferentes países e citou especificamente a Índia como uma das alternativas para eventual necessidade de importação.


Magda Chambriard,Presidente da  Petrobras

“A gente compra diesel da Índia, tem aí uma conversa interessante com refinadores indianos, inclusive com a maior refinadora do país”, afirmou a presidente da Petrobras.

 

A referência é à Reliance Industries, conglomerado com sede em Mumbai e atuação em diferentes segmentos, incluindo refino e comercialização de combustíveis. A empresa opera a refinaria de Jamnagar, um dos principais complexos de refino do mundo.


A estratégia amplia a margem de flexibilidade da Petrobras diante de eventuais mudanças no fluxo internacional de derivados, reduzindo a dependência de uma única origem para complementar a oferta doméstica.

Cargas de outubro já estão contratadas

Magda Chambriard também descartou risco de falta de diesel para a Petrobras no curto prazo. Segundo a executiva, as cargas de importação previstas para outubro já estão contratadas.


Para novembro, entretanto, a companhia poderá recorrer novamente ao mercado internacional, dependendo do comportamento da demanda, especialmente em função de uma parcela residual da safra agrícola.


“Sobre novembro, pode ser que a gente importe em função da demanda de uma safra residual”, explicou a presidente.


A declaração ocorre em um momento de atenção sobre o mercado internacional de derivados e seus possíveis impactos sobre o abastecimento brasileiro. No mercado doméstico, a Petrobras mantém uma estratégia de gestão de seus ativos de refino e de composição de sua oferta de combustíveis.


Refino nacional ganha importância


A posição da Petrobras também está relacionada ao avanço dos investimentos destinados à ampliação e à adequação de sua capacidade de refino. Um exemplo é a retomada do Trem 2 da Refinaria Abreu e Lima (RNEST), que inclui unidades voltadas à produção de derivados e ao aumento da capacidade de processamento de diesel.


Os contratos para a retomada das obras somam aproximadamente R$ 4,9 bilhões e contemplam, entre outras estruturas, uma unidade de hidrotratamento de diesel com capacidade projetada de até 82 mil barris por dia.


A combinação entre produção doméstica, estoques, importações previamente contratadas e diversificação das origens de compra permite à Petrobras administrar oscilações pontuais do mercado internacional. Nesse cenário, uma eventual alteração no fluxo de diesel proveniente dos Estados Unidos não significa, segundo a companhia, uma ameaça imediata ao abastecimento.


A declaração de Magda evidencia ainda a importância estratégica da diversificação das fontes de suprimento. Em um mercado sujeito a alterações geopolíticas, safras agrícolas, variações de demanda e mudanças nos fluxos internacionais de derivados, a capacidade de acessar diferentes fornecedores passa a ser um componente relevante da segurança do abastecimento brasileiro. 


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