São Paulo Boat Show 2026 revela o JAQ H2, barco capaz de gerar o próprio hidrogênio a partir da água do mar

Iniciativa liderada pelo Grupo Náutica em parceria com a chinesa GWM Hydrogen, IPT e Itaipu Parquetec visa zerar as emissões de carbono até 2027 e revolucionar a sustentabilidade no setor marítimo.


Apresentação do JAQ H2: Maquete da embarcação sustentável de 50 metros é revelada no São Paulo Boat Show 2026. Projeto desenvolvido pelo Grupo Náutica em parceria com GWM Hydrogen, IPT e Itaipu Parquetec promete gerar próprio combustível a partir da água do mar. (Foto: Divulgação/Grupo Náutica)

Durante o São Paulo Boat Show 2026, realizado nesta segunda-feira (28), foi apresentado o projeto do JAQ H2, uma embarcação de 50 metros apontada como pioneira no cenário internacional por sua capacidade de autossuficiência energética. O barco foi projetado para captar água do mar, dessalinizá-la e, por meio do processo químico de eletrólise, produzir o próprio hidrogênio necessário para o seu abastecimento e navegação.


JAQ H2, embarcação de 50 metros projetada para produzir hidrogênio a bordo a partir da água do mar, com tecnologia de dessalinização e eletrólise.


O projeto visa atingir a marca de 100% de emissões neutras de carbono durante a operação. Para garantir o desempenho sem comprometer o meio ambiente, a embarcação contará com um sistema de propulsão híbrido, alimentado tanto por hidrogênio quanto por diesel verde — óleo vegetal hidrotratado (HVO) de baixo impacto ambiental. A previsão é que o barco esteja finalizado e pronto para ir ao mar em 2027.


Tecnologia a bordo e descentralização energética


A tecnologia central do JAQ H2 consiste em instalar uma usina de produção de combustível dentro do próprio barco. A captação de água do mar passa por um tratamento de dessalinização e, em seguida, alimenta um eletrolisador a bordo, que separa as moléculas de água ($H_2O$) em oxigênio e hidrogênio.



Segundo Ernani Paciornik, fundador do Grupo Náutica e idealizador do projeto, o objetivo da embarcação vai além de demonstrar a viabilidade técnica no mar:

Ernani Paciornik, fundador do Grupo Náutica, Idealizador da embarcação

"Nós vamos ter um eletrolisador, uma planta dentro dele para produzir o nosso próprio hidrogênio, para poder fabricar, abastecer e navegar. Se a gente conseguir ter sucesso nisso, fica comprovado para o planeta que qualquer porto poderá ter o próprio eletrolisador", destacou Paciornik.

 

A iniciativa é resultado de uma cooperação técnica entre o Grupo Náutica, a empresa de tecnologia em energia GWM Hydrogen, o Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) e o Itaipu Parquetec.


Evolução em relação ao JAQ H1 e foco científico


O JAQ H2 representa uma evolução direta de seu antecessor, o JAQ H1. Com 36 metros de comprimento, o H1 utilizava combustível verde apenas para suprir a demanda da "hotelaria" a bordo (iluminação, climatização e serviços internos), mantendo a motorização principal convencional. Com o avanço das pesquisas e o redirecionamento do projeto, a propulsão do novo modelo foi adaptada para operar com matriz limpa.


Assim como a primeira versão, o JAQ H2 será voltado exclusivamente para apoio à pesquisa oceanográfica, ciência e educação. A infraestrutura da embarcação está preparada para operar veículos submarinos operados remotamente (ROVs) — drones marítimos que permitem a coleta de amostras e dados em águas profundas para estudos científicos.








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