Etanol ganha espaço no transporte marítimo e pode movimentar até 20 bilhões de litros até 2030
O etanol surge como uma das principais alternativas para a descarbonização do transporte marítimo internacional. Uma carteira de 336 navios encomendados com motores preparados para metanol também poderá utilizar o biocombustível, abrindo um mercado potencial estimado entre 15 bilhões e 20 bilhões de litros de etanol até 2030.
Os dados foram apresentados por Flavio Haruo Mathuiy, coordenador de temas ambientais para assuntos da Organização Marítima Internacional (IMO), durante a Conferência NovaCana 2026, realizada em São Paulo.
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| Flavio Haruo Mathuiy, coordenador de temas ambientais para assuntos da Organização Marítima Internacional (IMO) |
Segundo Mathuiy, embora as embarcações tenham sido encomendadas originalmente para operar com metanol, a tecnologia dos motores permite a substituição pelo etanol mediante adaptações simples nos sistemas de injeção e na atualização do software dos motores.

A flexibilidade tecnológica abre uma janela estratégica relevante para o biocombustível brasileiro, em um momento em que a navegação global enfrenta forte pressão regulatória para cortar emissões de gases de efeito estufa:
Meta de energia limpa: A estratégia da IMO determina que fontes de energia com emissão zero ou próxima de zero representem ao menos 5% do consumo do transporte marítimo internacional até 2030, com meta de esforço para atingir 10%.
Corte de emissões: Para 2030, a organização estabelece como meta uma redução de pelo menos 20% nas emissões anuais de gases de efeito estufa em relação aos níveis de 2008, buscando alcançar 30%.
Com a convergência entre regulamentações rígidas e viabilidade técnica, o setor sucroenergético ganha um novo vetor de demanda global para além do transporte rodoviário e da aviação.
Janela de oportunidade e os gargalos da transição
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| Motor marítimo dual fuel movido majoritariamente a metanol, desenvolvido pela China State Shipbuilding Corporation, a CSSC, com potência máxima de 64.500 quilowatts e peso de 1.953 toneladas. |
A versatilidade dos motores a metanol reposiciona o etanol não apenas como combustível alternativo, mas como ativo estratégico da diplomacia energética brasileira. A perspectiva, contudo, impõe desafios operacionais urgentes para a cadeia produtiva e os operadores logísticos.
Infraestrutura portuária de bunkering: A viabilidade comercial depende da criação de terminais de abastecimento dedicados ao etanol nos grandes hubs portuários do mundo. Sem logística ponta a ponta, o biocombustível perde competitividade frente a alternativas fósseis ou sintéticas.
Arbitragem de mercado e escala: Com a aviação civil demandando volumes massivos de SAF (Sustainable Aviation Fuel) e o transporte terrestre mantendo ritmo firme, o setor marítimo entra na disputa pelo produto. Garantir suprimento contínuo em larga escala exigirá investimentos pesados na expansão de capacidade do etanol de cana e de milho.
Padronização e rastreabilidade: A validação do etanol no âmbito da IMO exige certificações socioambientais rigorosas. Garantir pegada de carbono auditável em todas as fases da produção será precondição para que o biocombustível assegure prêmio de preço e aceitação regulatória internacional.
Caso vença as barreiras logísticas e normativas, o Brasil não apenas ampliará a pauta de exportações de maior valor agregado, mas fixará o etanol como pilar central do comércio global de baixa emissão de carbono.
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