Fórum Integração e Biocompetitividade, da Abag e Rede ILPF, posiciona o agro brasileiro como protagonista da segurança alimentar e da transição energética
O agronegócio brasileiro foi apresentado como vetor estratégico para a segurança alimentar global e para a transição energética durante o Fórum Integração e Biocompetitividade: A Solução Brasileira, realizado nesta segunda-feira (02), em São Paulo. O encontro foi promovido pela Associação Brasileira do Agronegócio (Abag) e pela Rede ILPF, reunindo autoridades, empresários, pesquisadores, técnicos e lideranças do setor.
A principal mensagem do evento foi clara: a biocompetitividade é resultado direto da integração entre cadeias produtivas, ciência, indústria, crédito e governança.
Ciência como pilar estratégico
Na abertura, Francisco Matturro, presidente executivo da Rede ILPF, reforçou que o avanço do modelo está diretamente ligado ao investimento contínuo em ciência.
Também participaram da solenidade representantes do Instituto Biológico, da Embrapa Meio Ambiente e da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, reforçando o papel histórico das instituições de pesquisa na consolidação da competitividade brasileira.
Na palestra inaugural, Mathias Schelp, vice-presidente para Agricultura Inteligente da Bosch América Latina, afirmou que o Brasil reúne condições objetivas para liderar a bioeconomia, desde que transforme potencial em estratégia
| Mathias Schelp, vice-presidente para Agricultura Inteligente da Bosch América Latina |
Entre as frentes tecnológicas apontadas estão:
Aplicação mais eficiente de defensivos;
Tecnologia dual etanol-diesel para equipamentos pesados;
Maior uso de biocombustíveis com redução do consumo de diesel.
Segundo Schelp, a transição energética no campo exige coordenação entre setor privado, produtores e poder público.
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| Walmir Segatto, CEO da Credicitrus |
Tecnologia e bioeconomia
A evolução tecnológica também foi destaque. Monica Pedó, da John Deere, afirmou que a integração entre conhecimento agronômico, soluções digitais e operação de máquinas está no centro da estratégia da companhia, com foco em eficiência e rentabilidade.
O professor Marcos Jank, do Insper, sintetizou o debate ao destacar que sistemas integrados possuem base científica consolidada e forte aderência territorial.
Integração como base da biocompetitividade
Luiz Carlos Corrêa Carvalho, vice-presidente da Abag, destacou que o Brasil vive um novo ciclo no agronegócio, que exige preparo técnico, modernização institucional e integração entre os elos produtivos.
“A biocompetitividade é a consequência natural de um sistema integrado, científico e bem estruturado. Precisamos de capacidade técnica, de um sistema financeiro mais moderno e, principalmente, de integração.”
— Luiz Carlos Corrêa Carvalho, vice-presidente da Associação Brasileira do Agronegócio (Abag)
ILPF: modelo para pequenos, médios e grandes produtores
O Sistema Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF) foi apresentado como ferramenta central dessa estratégia. O professor Neimar Nagano, da Unoeste, ressaltou que o modelo não se restringe a grandes propriedades.
“A ILPF é para todos, do pequeno produtor ao grande.”
À frente do Projeto PPPS (Pequena Propriedade Produtiva Sustentável), Nagano destacou que os sistemas integrados diversificam a renda, ampliam a eficiência do uso da terra e reduzem riscos econômicos, especialmente em regiões como o Pontal do Paranapanema.
Casos práticos reforçaram essa visão. A produtora Flávia Garcia, da Fazenda Jacaratiá, relatou a integração da pecuária com o cultivo de plantas medicinais, culminando na implantação de uma microdestilaria de óleos essenciais — agregando valor à produção rural.
| Flávia Strenger Garcia Cid - produtora rural, empresária e gestora da Fazenda Jaracatiá, em Querência do Norte (PR). |
| Flávia Strenger Garcia Cid - produtora rural -Fazenda Jaracatiá |
Crédito, pesquisa e indústria no centro da transformação
O debate avançou para a integração agroindustrial. Para Carvalho, é necessário ampliar o conceito de ILPF incorporando diretamente a indústria ao sistema produtivo.
Walmir Segatto, diretor-presidente executivo da Credicitrus, defendeu um modelo de crédito mais integrado ao produtor e ao cooperativismo, enquanto Victor Bachega, do Banco Bradesco, reforçou que financiamento estratégico e sustentável é essencial para sustentar o crescimento do setor.
Na área científica, Álvaro Duarte, da Fundepag, destacou a necessidade de combinar financiamento estruturado, empresas e políticas públicas para acelerar o desenvolvimento tecnológico.
O chefe-geral da Embrapa Territorial, Gustavo Spadotti, reforçou o papel da pesquisa na superação de gargalos históricos, como os avanços genéticos na soja e na pecuária. Segundo ele, o Brasil construiu uma plataforma científica capaz de conectar pesquisa, campo e mercado, promovendo ganhos consistentes de produtividade.
A economia circular foi apontada como eixo estruturante dos sistemas integrados, respeitando as particularidades regionais e produtivas.
Governança e sustentabilidade como eixo estruturante
No painel “Escala, Sustentabilidade e Oportunidade”, Juliana Cibim, da ERM Brasil, destacou que a governança precisa estar consolidada dentro das empresas para enfrentar um ambiente global de incertezas.
Rui Rosa, diretor executivo da Rede ILPF, enfatizou que a mobilização institucional envolvendo pesquisa, empresas e produtores tem gerado resultados concretos:
| Rui Rosa, diretor executivo da Rede ILPF, |
“Integração significa redução de riscos econômicos, melhoria do IDH regional e múltiplas atividades na mesma área.” -
Para Eduardo Bastos, da CCarbon/USP, o crescimento do agronegócio brasileiro pode ocorrer sem aumento proporcional das emissões, graças à expansão de sistemas sustentáveis como a ILPF, que promovem aumento de matéria orgânica no solo e sequestro de carbono.
| Eduardo Bastos, CEO da CCarbon/USP |
“O Brasil tem condições de ampliar sua produção sem ampliar sua pegada de carbono. Sistemas como a ILPF promovem o acúmulo de matéria orgânica no solo, intensificam o sequestro de carbono e mostram que é possível crescer com sustentabilidade”, destacou.
| Eduardo Bastos, CEO da CCarbon/USP |
“A biocompetitividade no agro depende da integração de sistemas produtivos, com uso de remineralizadores e fertilizantes naturais que reduzem emissões e aumentam a produtividade. A transição para uma agricultura de baixo carbono é viabilizada pelo aumento da matéria orgânica no solo, garantindo eficiência e sustentabilidade.”
— Eduardo Bastos, CCarbon/USP
Conclusão
O Fórum Integração e Biocompetitividade reforçou a visão de que o Brasil possui vantagens estruturais — matriz energética diversificada, biodiversidade, disponibilidade hídrica e capacidade científica — que o posicionam de forma singular no cenário global.
A integração entre produção, indústria, pesquisa, crédito e governança não é apenas estratégia, mas condição essencial para que o agronegócio brasileiro amplie sua competitividade, fortaleça a segurança alimentar e lidere a transição para uma economia de baixo carbono.
| “Encerramento da coletiva reúne jornalistas e palestrantes, destacando o protagonismo do Brasil na agricultura integrada e sustentável.” |
O Brasil ocupa posição estratégica no cenário agrícola mundial, impulsionado pela força da agricultura tropical e pela capacidade de produzir mais alimentos com eficiência crescente no uso de recursos naturais. Diferentemente de modelos padronizados, o sucesso no campo brasileiro está ancorado na adaptação às realidades regionais, considerando variáveis como tamanho da propriedade, perfil do produtor, condições de solo e clima.
Nesse contexto, os sistemas integrados se consolidam como uma das maiores evoluções da agricultura moderna. A combinação entre tecnologia, conhecimento agronômico e inteligência de mercado permitiu transformar desafios estruturais em vantagem competitiva. Desde os anos 1990, práticas como a segunda safra, o plantio direto e a integração lavoura-pecuária evoluíram para modelos mais sofisticados, culminando na Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF), que conecta produção agropecuária, geração de energia, mercado de carbono e cadeias industriais.
Esse avanço não ocorreu de forma isolada. Foi impulsionado por ganhos de produtividade, demanda global por alimentos e pela necessidade de maior eficiência econômica e ambiental. A produção simultânea de múltiplas culturas nos trópicos amplia o aproveitamento da terra ao longo do ano, eleva a geração de renda por hectare e fortalece a inserção do país nos mercados internacionais.
Entretanto, o desafio atual vai além da produção. A consolidação definitiva desse protagonismo exige métricas claras e consistentes que evidenciem os impactos em emprego, renda, exportações, mitigação de emissões e recuperação de áreas degradadas. A mensuração estruturada desses indicadores será decisiva para posicionar o Brasil não apenas como grande produtor, mas como referência global em agricultura sustentável de alto desempenho.
Ao integrar tecnologia, sustentabilidade e mercado, o modelo brasileiro demonstra que é possível expandir a produção sem ampliar proporcionalmente a pressão ambiental. A agricultura integrada deixa de ser apenas uma alternativa e passa a representar um novo paradigma produtivo — com potencial de influenciar políticas agrícolas e estratégias globais de segurança alimentar e transição energética.
Créditos:
Cobertura: Canal Diesel – www.canaldiesel.com.br
“Assessoria de Imprensa - Mecânica Comunicação Estratégica”
Enio Campoi / Noemi Oliveira
Associação Brasileira do Agronegócio (Abag) e Rede ILPF
Local: Instituto Biológico – São Paulo – SP
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