BYD aposta alto no Brasil e prepara maior operação de ônibus e caminhões elétricos da América do Sul
A BYD prepara um novo e ambicioso salto industrial no Brasil para sustentar a rápida expansão do mercado de ônibus elétricos e acelerar a eletrificação do transporte pesado no país. A fabricante chinesa anunciou planos para a construção de uma nova megafábrica dedicada à produção de ônibus e caminhões elétricos, com capacidade anual estimada entre 6.000 e 7.000 chassis, um volume várias vezes superior ao da operação atual.
O projeto, previsto para sair do papel entre dois e três anos, será implantado no estado de São Paulo. A cidade que irá receber o novo complexo industrial ainda está em definição e será apresentada em breve, reforçando a expectativa do mercado e de governos locais em torno do investimento. A iniciativa tem como objetivo eliminar gargalos produtivos, atender à crescente demanda de cidades brasileiras e posicionar o Brasil como um polo estratégico de exportação de veículos elétricos pesados para a América do Sul.
| Bruno Paiva – Diretor da BYD Brasil |
Segundo a direção da divisão de veículos comerciais da BYD no Brasil, a empresa já possui encomendas suficientes para produzir cerca de 1.200 chassis apenas em 2026, praticamente o dobro de tudo o que foi fabricado nos primeiros dez anos de atuação da marca no país.
“Somente em 2026 vamos produzir cerca de 1.200 chassis. Isso já é mais do que produzimos nos últimos dez anos”, destacou a companhia.
Expansão em etapas para atender à demanda crescente
Para evitar que a limitação de capacidade comprometa o crescimento do negócio, a BYD estruturou um plano de expansão em fases. No curto prazo, a estratégia inclui a criação de uma operação temporária nas proximidades de Campinas (SP), capaz de praticamente dobrar a capacidade produtiva atual em um período estimado entre quatro e seis meses. Paralelamente, avança o projeto da nova fábrica definitiva no estado.
| EM EXPANSÃO NOVA FABRICA DA BYD BRASIL - CAMAÇARI - BAHIA |
| BYD - Novo complexo industrial em Zhengzhou, na China |
O futuro complexo industrial deve ocupar uma área de aproximadamente 180 mil metros quadrados, um salto significativo em relação aos cerca de 7 mil metros quadrados hoje utilizados pela empresa em prédios alugados na região de Campinas. A proposta é centralizar todas as operações de veículos comerciais em um único local, substituindo as instalações atuais.
Atualmente, a unidade de Campinas tem capacidade nominal para até 2.000 chassis por ano, mas esse número é reduzido na prática devido à diversidade de configurações produzidas, incluindo modelos articulados, que exigem mais tempo e recursos. Com a agenda de produção praticamente tomada para o próximo ano, a empresa já não consegue absorver novos pedidos, mesmo diante do interesse crescente de diversas cidades brasileiras.
Caminhões elétricos e geração de empregos
Além dos ônibus elétricos, a nova fábrica já nasce preparada para receber a produção de caminhões elétricos, hoje atendidos majoritariamente por meio de importações. Em plena operação, o impacto sobre o emprego será expressivo: o número de colaboradores no segmento de veículos comerciais pode saltar dos atuais 80 a 100 funcionários para algo entre 700 e 800 pessoas.
Eletrificação em ritmo acelerado
A atuação da BYD em ônibus elétricos no Brasil antecede sua entrada mais recente no mercado de automóveis de passeio. Após uma experiência inicial com veículos completos importados da China — que não se adaptaram plenamente às condições locais — a empresa optou pela montagem local de chassis e por parcerias com encarroçadoras brasileiras, como Caio Induscar e Marcopolo, decisão que ajudou a consolidar a operação no país.
O avanço da eletrificação de frotas ganhou força no período pós-pandemia, quando a renovação de veículos foi postergada e passou a coincidir com novas exigências regulatórias e programas de incentivo, especialmente na cidade de São Paulo. Capitais como Curitiba, Goiânia, Belo Horizonte e Rio de Janeiro também avançam na adoção de ônibus elétricos, ainda que em menor escala.
Brasil como base regional de exportação
O projeto reforça ainda a estratégia da BYD de utilizar o Brasil como base regional de exportação. A empresa enxerga o país como um hub natural para abastecer mercados da América do Sul, especialmente dentro do Mercosul. A África surge como possibilidade de longo prazo, condicionada à consolidação da produção e da logística regional.
Com a futura megafábrica, a BYD amplia sua presença industrial no país e sinaliza confiança no papel do Brasil como protagonista na transformação do transporte público e de cargas rumo a uma mobilidade mais sustentável.
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